terça-feira, 19 de julho de 2011

Coletchividade

Tenho muito a escrever, mas no momento em que digito estas palavras me sinto cansado. Minha mente está a mil. E de tanto estar cheia há uma grande dificuldade de as ideias saírem, de serem canalizadas.
Muito aconteceu de bom, de cômico, de memorável. O que falar? Nestas horas é melhor apenas lembrar e relatar depois. Experiência.
Uma vez me disseram que uma situação agradável é a gente quem faz. Começo a crer que é verdade. Basta a vontade de se divertir. Vontade de viver.
Após acumular uma relativa bagagem de experiência quiçá me sinta como um Forrest Gump prestes a narrar. Talvez eu tenha dificuldades de assim fazer. Talvez minha personalidade, que em algumas vezes me incomoda, me limite a narrar em dados momentos escassos e não nas ocasiões em que desejam os ouvintes, as pessoas, ansiosas por histórias, por ouvir o novo.
Talvez um dia eu narre, talvez não. Talvez o quantchitatchivo de escrotchices da turma do quarto coletchivo nunca aqui seja relatado.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Muralha de seda no ciclone da calmaria

A ventania. Ah, a ventania soprava forte. Shuuuu...

No meio de uma ventania estava Ana. A rua estava vazia, erma, e tudo o que se via eram coisas voando. Papéis e folhas rodopiavam no ar. Dançavam no ritmo do vento.
Ela estava serena. Era uma fortaleza delicada resistindo à força de algo que nem podia ver. Mas sentia. Sim, sabia que ele era invisível, porém nada discreto. Continuava a resistir. Mas não fazia esforço algum. Estava serena e caminhava lentamente em meio a tudo aquilo. Estava segura demais para ceder. Seu vestido branco de seda ameaçava deixar-lhe. E o vento continuava, continuava, continuava... Postes caiam, árvores caiam, caiam e caiam. O vento levava. Levou a rosa vermelha de sua mão. Levava tudo o que havia na rua. Mas não a levava, nem sua mente.
Ela vinha descalça. Pisava o asfalto morno e desgastado. Ria discretamente. Significava serenidade isso... Gotas de água começaram a molhar seu belo corpo. Começou a chover.

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Aurora do dia, alvorecer do espírito

Júlia acordou e foi até a frente de casa. Olhou a rua, ainda com o rosto amassado. Remelas nos olhos. Porém não se importaria se alguém a visse. Queria mesmo era ver a rua. Olhar a manhã. Sentiu o vento frio no rosto. Início do dia.
Em seguida fechou a porta e voltou para dentro de casa.
Ligou a TV.
Sintonizou em um canal aleatório. Caminhou para a cozinha, ouvindo a voz familiar de algum apresentador de telejornal. Abriu a geladeira e fixou o olhar. Parou por poucos segundos, sem pensar em absolutamente nada. Mente vazia de início de dia. Era normal.
Fez seu sanduíche de presunto e queijo. Encheu um copo de suco de cor amarela. Seria de laranja ou maracujá? Não lembrava direito.
Foi, então, até a sala quando subitamente caiu no chão. Havia tropeçado no pé do sofá.
A princípio teve raiva. Foram cerca de 20 segundos cultivando tal sentimento. Mas permaneceu deitada no chão. Foi quando começou a rir freneticamente. Mais e mais. Gargalhar!
A TV ligada.

terça-feira, 22 de março de 2011

Acho que estava voando

Eu estava no ônibus. Em pé como quase sempre. Ônibus cheio. De gente. De pensamentos. De vontade de chegar.
Fechei meus olhos e pude sentir com mais intensidade o vento batendo em mim pelos lados. Querendo me empurrar para outro lugar.
Fiquei firme, mas confesso que foi uma sensação boa. Relaxante.
Abri meus olhos e vi pelas janelas o lindo e laranja sol de fim de tarde. Aquele bonito evento que a gente nem nota. Nem nota como deveria.
E por cerca de cinco segundos fiquei contemplando o sol e sentindo o vento. Senti-me leve. Parecia que não mais estava dentro do ônibus. Acho que estava voando. Sei lá. Havia me desconectado por um instante.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

As opiniões que falsamente não importam.

Falta-me inspiração...
...Sempre temo que isso ocorra, e mesmo assim sempre acontece. Falta-me inspiração, falta-me criatividade. Fico em frente a tela de um computador querendo produzir algo que me faça superar a mim mesmo, que me agrade e agrade também a quem leia. Uma busca incansável para ser melhor, para ser mais e mais.

Muitos tentam provar para si mesmos que não agem pensando nos outros. Pensam apenas em uma pessoa digna de sua atenção: ela mesma. A quem querem enganar? Comigo não cola. Sempre nos policiamos, nos ponderamos, nos permitimos e nos impedimos de tomar determinadas atitudes tendo em vista a reação, ou não-reação, dos outros.

Farei “isto” para ser aceito [pensamento explícito de dar importância aos outros].
Farei “isto” já que todos fazem “aquilo” e não quero ser igual [pensamento implícito de dar importância aos outros]

Só o fato de você pensar em agir da maneira que deseja, supostamente sem levar em conta a opinião dos demais, é a prova incontestável de que o julgamento dos outros te controla, te importa de alguma forma. É um júri popular, onde sempre, evidentemente, buscamos a absolvição. Ter a maioria a seu favor já é, digamos, o suficiente.
Não estou aqui querendo dizer que a autenticidade é uma farsa, pelo contrário, julgo-a importante. A autenticidade é tão viva que alguns usam dela para obter a popularidade desejada. O problema é que constantemente acaba-se caindo na mesmice do diferente.

Ter a maioria... Quem não quer? Reformulando. Ser unanimidade... Quem não quer? Eu quero. A verdade é que nossa busca é essa: sermos unânimes. Quase nunca alcançamos, eu diria até que nunca. Mas é dessa busca tão humana que se consegue ter a maioria ao seu lado. Ou não!

Eu quero conhecer o autor de livros que publica uma obra desejando que a mesma seja o que pode-se chamar de um fracasso de vendas. Talvez o pretexto usado quando as vendagens são baixas seja a afirmação de que os poucos que compraram são “uma minoria que entende”, ou são “pessoas fiéis”. Público fiel existe e é importante, mas se for minúsculo tem tudo para tornar-se insatisfatório. Não estou falando aqui de cifras, mas sim de satisfação pessoal.

Nesta conjuntura, os que mantêm a mesma linha são os conformistas guerreiros, que tentam não se deixar influenciar pela opinião alheia, já que seu público fiel verdadeiramente é fiel e garante sua subvida artística. São admiráveis, pois não "se vendem" aos demais.
Os que não se conformam com o anonimato ou esquecimento buscam se reinventar. Daí podem sair obras-primas em todos os âmbitos, ou mesmo coisas assustadoras que ocasionarão mais fracassos. Ousadia sintetiza bem tal exemplo.

Minha opinião é esta, então. Não caio no erro e na tolice de afirmar que este texto que escrevi é uma verdade absoluta e incontestável. Porém, acredito no que escrevi e isto é essencial para alguém que escreve  uma obra com o intuito de torná-la pública.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Nosso Baile Noturno

Tudo ficou tão escuro, sombrio
O silêncio é uma música cortante
Mas sua voz e uma vela, tão pequena
São capazes de mudar uma realidade

E mesmo sem a vela
O brilho das estrelas no céu
Faz da noite um grande baile
Dance comigo esta noite

Seu concerto noturno é formoso
Sua bela voz rasgou o silêncio incômodo
Fez desta noite a mais linda
Crueldade não desfrutá-la

E dançamos por toda a noite
Minuto a minuto numa dança sensual
Corpo a corpo, alma a alma
Os astros nos acompanhando
Eu e você.