segunda-feira, 16 de maio de 2011

Aurora do dia, alvorecer do espírito

Júlia acordou e foi até a frente de casa. Olhou a rua, ainda com o rosto amassado. Remelas nos olhos. Porém não se importaria se alguém a visse. Queria mesmo era ver a rua. Olhar a manhã. Sentiu o vento frio no rosto. Início do dia.
Em seguida fechou a porta e voltou para dentro de casa.
Ligou a TV.
Sintonizou em um canal aleatório. Caminhou para a cozinha, ouvindo a voz familiar de algum apresentador de telejornal. Abriu a geladeira e fixou o olhar. Parou por poucos segundos, sem pensar em absolutamente nada. Mente vazia de início de dia. Era normal.
Fez seu sanduíche de presunto e queijo. Encheu um copo de suco de cor amarela. Seria de laranja ou maracujá? Não lembrava direito.
Foi, então, até a sala quando subitamente caiu no chão. Havia tropeçado no pé do sofá.
A princípio teve raiva. Foram cerca de 20 segundos cultivando tal sentimento. Mas permaneceu deitada no chão. Foi quando começou a rir freneticamente. Mais e mais. Gargalhar!
A TV ligada.

terça-feira, 22 de março de 2011

Acho que estava voando

Eu estava no ônibus. Em pé como quase sempre. Ônibus cheio. De gente. De pensamentos. De vontade de chegar.
Fechei meus olhos e pude sentir com mais intensidade o vento batendo em mim pelos lados. Querendo me empurrar para outro lugar.
Fiquei firme, mas confesso que foi uma sensação boa. Relaxante.
Abri meus olhos e vi pelas janelas o lindo e laranja sol de fim de tarde. Aquele bonito evento que a gente nem nota. Nem nota como deveria.
E por cerca de cinco segundos fiquei contemplando o sol e sentindo o vento. Senti-me leve. Parecia que não mais estava dentro do ônibus. Acho que estava voando. Sei lá. Havia me desconectado por um instante.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

As opiniões que falsamente não importam.

Falta-me inspiração...
...Sempre temo que isso ocorra, e mesmo assim sempre acontece. Falta-me inspiração, falta-me criatividade. Fico em frente a tela de um computador querendo produzir algo que me faça superar a mim mesmo, que me agrade e agrade também a quem leia. Uma busca incansável para ser melhor, para ser mais e mais.

Muitos tentam provar para si mesmos que não agem pensando nos outros. Pensam apenas em uma pessoa digna de sua atenção: ela mesma. A quem querem enganar? Comigo não cola. Sempre nos policiamos, nos ponderamos, nos permitimos e nos impedimos de tomar determinadas atitudes tendo em vista a reação, ou não-reação, dos outros.

Farei “isto” para ser aceito [pensamento explícito de dar importância aos outros].
Farei “isto” já que todos fazem “aquilo” e não quero ser igual [pensamento implícito de dar importância aos outros]

Só o fato de você pensar em agir da maneira que deseja, supostamente sem levar em conta a opinião dos demais, é a prova incontestável de que o julgamento dos outros te controla, te importa de alguma forma. É um júri popular, onde sempre, evidentemente, buscamos a absolvição. Ter a maioria a seu favor já é, digamos, o suficiente.
Não estou aqui querendo dizer que a autenticidade é uma farsa, pelo contrário, julgo-a importante. A autenticidade é tão viva que alguns usam dela para obter a popularidade desejada. O problema é que constantemente acaba-se caindo na mesmice do diferente.

Ter a maioria... Quem não quer? Reformulando. Ser unanimidade... Quem não quer? Eu quero. A verdade é que nossa busca é essa: sermos unânimes. Quase nunca alcançamos, eu diria até que nunca. Mas é dessa busca tão humana que se consegue ter a maioria ao seu lado. Ou não!

Eu quero conhecer o autor de livros que publica uma obra desejando que a mesma seja o que pode-se chamar de um fracasso de vendas. Talvez o pretexto usado quando as vendagens são baixas seja a afirmação de que os poucos que compraram são “uma minoria que entende”, ou são “pessoas fiéis”. Público fiel existe e é importante, mas se for minúsculo tem tudo para tornar-se insatisfatório. Não estou falando aqui de cifras, mas sim de satisfação pessoal.

Nesta conjuntura, os que mantêm a mesma linha são os conformistas guerreiros, que tentam não se deixar influenciar pela opinião alheia, já que seu público fiel verdadeiramente é fiel e garante sua subvida artística. São admiráveis, pois não "se vendem" aos demais.
Os que não se conformam com o anonimato ou esquecimento buscam se reinventar. Daí podem sair obras-primas em todos os âmbitos, ou mesmo coisas assustadoras que ocasionarão mais fracassos. Ousadia sintetiza bem tal exemplo.

Minha opinião é esta, então. Não caio no erro e na tolice de afirmar que este texto que escrevi é uma verdade absoluta e incontestável. Porém, acredito no que escrevi e isto é essencial para alguém que escreve  uma obra com o intuito de torná-la pública.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Nosso Baile Noturno

Tudo ficou tão escuro, sombrio
O silêncio é uma música cortante
Mas sua voz e uma vela, tão pequena
São capazes de mudar uma realidade

E mesmo sem a vela
O brilho das estrelas no céu
Faz da noite um grande baile
Dance comigo esta noite

Seu concerto noturno é formoso
Sua bela voz rasgou o silêncio incômodo
Fez desta noite a mais linda
Crueldade não desfrutá-la

E dançamos por toda a noite
Minuto a minuto numa dança sensual
Corpo a corpo, alma a alma
Os astros nos acompanhando
Eu e você.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Circulo vicioso



"Vamos começar
Colocando um ponto final
Pelo menos já é um sinal
De que tudo na vida tem fim"

Ano novo, vida nova
Novo ano, nova vida
Velha, antiga, contínua
Vida. Apenas vida.

A vida continua a mesma
Anseios mil por melhoras
Sendo assim torna-se nova
Nova coisa antiga

A partir da meia-noite
As coisas acabam e começam
Necessidade humana
Tudo novo de novo

"E vamos terminar
Inventando uma nova canção
Nem que seja uma outra versão
Pra tentar entender que acabou"

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O natal do menino que cresceu

É véspera de Natal. Faltam poucos dias, mais ou menos 1 semana, para o ano novo. Neste caso, 2011. Todo ano é a mesma coisa. Tradição. Aurélio, do dicionário, fala que “a tradição é o laço do passado com o presente”. Confraternizar, celebrar.
Vou aqui contar a história de uma criança. Sobre o que significava o natal para ela. Um menino. Desde cedo este menino havia aprendido que o natal era a comemoração do nascimento de Jesus, o filho de Deus. O salvador dos homens. Influências de uma sociedade cristã, ajudada por uma educação em uma escola também cristã. Protestante. Apesar do garotinho não seguir esta religião.

Mas, como a maioria das crianças enfiadas no capitalismo ocidental, o natal para ele era aquela época em que o papai Noel dava presentes. Obviamente que, esperto todo, esse menino logo percebeu que o papai Noel não existia como se pregava. O bom velhinho aqui era ajudado pelos pais dele. Na verdade, esse senhor presenteador e de bom coração levava todo o crédito pela entrega dos presentes. How how how!
O Natal era aquele período em que as ruas ficavam lindas, iluminadas. Muito iluminadas. Luzes. O mundo ficava diferente, mais bonito.

Uma árvore de Natal enfeitava a casa do menino. Não só sua casa, mas todos os lugares. Pinheiros. Um tipo de árvore que não é do Brasil. Será que deveriam enfeitar, então, um pau-brasil? Ou uma palmeira? Ufanismo. "Minha terra tem palmeiras".
Neste calor escaldante do Brasil, do nordeste, o natal é representado com neve (?) O papai Noel veste roupas de frio. Esquisito. Mais uma vez nosso moleque percebeu algo. Se tratava de uma importação de cultura, de costumes. Neve é chique.

Estudando, ele aprendeu que na década de 1930 existiu a presença de uma figura inusitada: O Vovô Índio, que saia da amazônia para ser o papai Noel made in Brazil. How how how!, ou melhor, Uga uga! Integralismo.
Vargas tentou difundir a ideia. Porém, as crianças não gostaram do vovô. Bye-bye Anauê!
Sendo assim. a infância dos anos 90, a do nosso protagonista desta história, foi com o Papai Noel mesmo. Com renas, saco vermelho, neve e frio. Frio não.

Era também no Natal que a mãe dele fazia comidas diferentes. Comidas típicas da época. O dia 24, a véspera, era um dos mais longos do ano, já que o menino queria mesmo era comer muito na ceia. Era Natal. 8 horas da noite e já estava de banho tomado. Arrumado com a roupa nova. Pronto para esperar a ceia natalina. Um pouco cedo, eu diria, mas crianças são... Crianças.

E não é que este menino cresceu? Cresceu e já é capaz de perceber significados ocultos, interesses escondidos no Natal. Contudo, não perdeu o encanto. Ainda se cativa com as luzes do Natal. O motivou eu não sei. Apenas estou aqui contando a história.